Escuta Ipatinga

Visto que todo mapa é uma expressão  política, este mapa sonoro colaborativo dedica-se a contribuir para a sensibilização da comunidade local para questões relativas à paisagem sonora. Uma paisagem sonora pode expressar muitos aspectos de um contexto particular, dentre os quais o seu senso ecológico, seu senso de comunidade, sua memória. O mapa dedica-se aos mais diversos tipos de uso. Há quem compartilhe seus microcosmos acústicos, seus lugares de preferência, os locais e sons que fazem parte de sua memória pessoal, os cartões postais sonoros que mais lhes agradam. E há, também, uma dimensão de articulação e resistência coletiva: as áreas periféricas de Ipatinga são alvos da emissão cotidiana de anúncios publicitários dos mais diversos tipos, em carros de som sem regulação alguma, e muitas vezes, sem resistência articulada em associações de bairros. Este mapa convida a população local a escutar-se e a manifestar-se, visando ativar e contribuir para um debate público acerca de tais tipos de abuso do espaço acústico. Seja para resistir, seja para afirmar a beleza particular de locais  e vozes da cidade, o mapa aí está para contribuir para a expansão do escopo das práticas de escuta desempenhadas por indivíduos da população local. Dedico o mapa ao local onde nasci, como uma operação que pode contribuir para processos de transculturação e transformação aural, para além do domínio de economias majoritárias da auralidade baseadas no abuso da tecno-fonografia.

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