‘Un Mar Para Bolivia (ou) Alvorada em Copacabana’

Documentação do processo de gravação para o trabalho ‘Un Mar Para Bolivia (ou) Alvorada em Copacabana´ de Júlio de Paula.

Neste projeto, o ato de gravação sonora e partilha tem uma ideia de dádiva/de lidar simbolicamente com um trauma que percorre a história boliviana – a perda do acesso ao oceano pacífico. Sem entrar muito nos detalhes, houve um conflito com o nome de A Guerra do Pacífico que decorreu entre o Chile e as forças conjuntas da Bolívia e do Peru entre 1879 e 1883. O final da guerra resulta numa perda territorial para Peru e Bolívia, sendo que no caso da Bolívia esta perde a província de Antofagasta — que era o seu acesso ao mar. Na constituição da Bolívia, consta como objetivo a recuperação dessa província.

Em conversa com o Júlio, a compreensão de quão traumático tinha sido esse evento realmente despertou quando este viajou para a Bolívia. Ele contou-me uma história de que ao entrar no Museu do Mar em La Paz leu a seguinte frase do poeta boliviano Jaime Caballero Tamayo “El mar está más lejos que una noche pasada (…) El mar está más cerca que mañana”. Daí, ele decide criar um evento que lida com essa nostalgia, essa perda – obviamente uma modesta contribuição, mas que não deixa de lidar com esse episódio histórico.

A ideia e processo dele, tem dois atos.

Un Mar para Bolivia em dois atos

I. Alvorada em Copacabana
Captar o som do mar na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, ao nascer do sol. Em atitude contemplativa, quase solene. Documentar.

II. Crepúsculo en Copacabana
Exibir o som gravado na praia de Copacabana, Bolívia, ao pôr do sol. Interagir com as pessoas, conversar, oferecer, doar. Documentar

NOTA: A razão para fazer em Copacabana é que o nome dessa praia do Rio vem do facto de ter sido inaugurada uma capela que tenha uma Nossa Senhora de Copabacana – que resulta de ter havido uma aparição da nossa senhora em copacabana (Bolívia) – uma cidade que fica no lago titicaca – que tambem tem uma praia.