{"id":1305,"date":"2017-01-02T17:59:40","date_gmt":"2017-01-02T17:59:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nendu.net\/?p=1305"},"modified":"2018-06-28T21:21:58","modified_gmt":"2018-06-28T21:21:58","slug":"leandra-lambert1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.nendu.net\/?p=1305&lang=pt","title":{"rendered":"Leandra Lambert#1"},"content":{"rendered":"<div>No dia 26 de Abril de 2016, eu visitei\u00a0a exposi\u00e7\u00e3o individual \u00a0&#8216;Passagens Atl\u00e2nticas&#8217; da artista Leandra Lambert na Galeria IBEU &#8212; um espa\u00e7o expositivo gerido pelo Instituto Brasil Am\u00e9rica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img src=\"https:\/\/4.bp.blogspot.com\/-16zfQC2P-ic\/VxeVIvM48kI\/AAAAAAAADto\/rT5LAMpZJR4dEIQ6SGvdzROShxFejOx3wCLcB\/s1600\/GaleriaIbeu-Convite-Leandra.png\" \/><\/div>\n<div>\n<p>\u00a0<strong>Fig. 1<\/strong>\u00a0&#8211; cartaz do evento<\/p>\n<p>Os v\u00e1rios trabalhos apresentados refletem o processo da Leandra em revelar as diferentes camadas hist\u00f3ricas, arqueol\u00f3gicas e geol\u00f3gicas que percorrem a sua rela\u00e7\u00e3o com o atl\u00e2ntico. Uma rela\u00e7\u00e3o com uma dimens\u00e3o biogr\u00e1fica, uma vez que esta viveu no bairro de Copacabana &#8212; tendo testemunhado a transforma\u00e7\u00e3o que ocorreu nessa parte da cidade e cuja beleza (ao contr\u00e1rio da percep\u00e7\u00e3o comum) \u00e9 algo criado e engendrado por pol\u00edticas de planeamento municipal.<\/p>\n<p>Em &#8216;luvas de areia&#8217; podemos testemunhar essa transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica da costa de copacabana, ao mesmo tempo que podemos ouvir uma narrativa sobre a perda de algu\u00e9m; sobre um poss\u00edvel toque mediado por areia. A utiliza\u00e7\u00e3o de som neste trabalho n\u00e3o s\u00f3 eleva uma dimens\u00e3o intertextual que cruza narrativas e fatos, como abre para uma vis\u00e3o de &#8216;lugar&#8217; que \u00e9 profundamente humanista &#8211; no sentido em que Copacabana n\u00e3o \u00e9 um lugar acabado, \u00e9 algo que est\u00e1 em constante transforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsica mas como experiencial &#8211; na medida em que a experi\u00eancia individual cria a cada momento de contato com essa Copacabana, uma nova Copacabana.<\/p>\n<p>(INSERIR FIGURA)<\/p>\n<p>Podemos ver esse ecoar subjetivo em todas as pe\u00e7as presentes na exposi\u00e7\u00e3o. Em &#8216;cal\u00e7ada&#8217;, pedras portuguesas encontradas na rua, s\u00e3o transformados em fragmentos textuais de experi\u00eancias passadas &#8211; como se as pedras falassem; como se estas fossem uma forma de capturar a experi\u00eancia do quotidiano. Neste trabalho, a artista transforma-se na subst\u00e2ncia que revela essas hist\u00f3rias ou inten\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas e as organiza num monte.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1306\" src=\"http:\/\/www.nendu.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/passagens-atlanticas-4p-1024x726.jpg\" alt=\"passagens-atlanticas-4p\" width=\"601\" height=\"421\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><strong>Fig. 3\u00a0&#8211;<\/strong> Imagem de &#8216;cal\u00e7ada&#8217;. Fotografia de Leandra Lambert<\/p>\n<p>Da areia e pedra, passamos para \u00e1gua do atl\u00e2ntico para a mata atl\u00e2ntica com rio. Uma s\u00e9rie de fotos de dimens\u00e3o m\u00e9dia (&#8216;A manh\u00e3 quando chega nunca \u00e9 a mesma&#8217;) \u00a0mostram uma vis\u00e3o pr\u00f3xima de \u00e1gua &#8211; como se dessa experi\u00eancia nos lav\u00e1ssemos. Na realidade, cada pe\u00e7a funciona como v\u00e1rias camadas da experi\u00eancia da cidade, e de Copacabana.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-1307\" src=\"http:\/\/www.nendu.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/the-morning-when_detail1_leandra_lambert-1024x679.jpg\" alt=\"the-morning-when_detail1_leandra_lambert\" width=\"660\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.nendu.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/the-morning-when_detail1_leandra_lambert-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/www.nendu.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/the-morning-when_detail1_leandra_lambert-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.nendu.net\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/the-morning-when_detail1_leandra_lambert.jpg 1314w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p><strong>Fig. 4\u00a0&#8211;<\/strong> &#8216;A manh\u00e3 quando chega nunca \u00e9 o mesmo&#8217; &#8211; Oceano (2013). Detalhe do pol\u00edptico. Fotografia de Leandra Lambert<\/p>\n<p>Em, &#8220;vestido esquisito&#8221; esta nos mostra outro elemento da praia e da cidade &#8211; os sem teto, os mendigos. Cada trabalho tamb\u00e9m nos remete para uma diferente dimens\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>(INSERIR FIGURA)<\/p>\n<p>Estes elementos s\u00e3o conseguidos atrav\u00e9s da experi\u00eancia de andar e deambular pela cidade. O que se segue \u00e9 um testemunho textual da Leandra Lambert e um excerto audiovisual da Leandra\u00a0a fazer um passeio pelo cal\u00e7ad\u00e3o de Copacabana.<\/p>\n<\/div>\n<p>\/\/<\/p>\n<p><em>Escuto peda\u00e7os de mundo enquanto caminho. \u00c0s vezes carrego um gravador e levo sons comigo. Misturam-se ao som quase incessante da voz interna, subjetividade cheia de palavras, jorros e fluxos do pensamento, alguns pontos de estagna\u00e7\u00e3o e \u00e2nsia, turbul\u00eancias e obsess\u00f5es que procuro esvair ou que acolho com curiosidade e alguma calma, a rara calma dos observadores \u2013 rara e preciosa. Mas \u201cobservar\u201d \u00e9 um instante fugidio: focar a aten\u00e7\u00e3o nos sons \u00e9 sair do foco objetivo, \u00e9 estar imerso, sem mais \u201cdentro\u201d e \u201cfora\u201d. N\u00e3o h\u00e1 mais paisagem, s\u00f3 passagens, m\u00faltiplas. N\u00e3o h\u00e1 mais rua, apenas redes, redemoinho, turbilh\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Os projetos-processos \u201cAtl\u00e2ntica\u201d e &#8220;Cut-up Tragedy&#8221; se iniciam com caminhadas sem rumo certo, seguindo apenas determinados est\u00edmulos sensoriais e construindo relatos ficcionalizados. Nessas caminhadas busco valorizar a escuta atenta, o acaso e a presen\u00e7a do outro em din\u00e2micas de reconhecimento e estranhamento, sem fugir a um enfrentamento com os ru\u00eddos e atritos de espa\u00e7os entr\u00f3picos. Tra\u00e7o tamb\u00e9m rela\u00e7\u00f5es entre o ato de caminhar, de contar uma hist\u00f3ria e de escrever.<\/em><\/p>\n<p><em>No decorrer das minhas caminhadas, em uma pr\u00e1tica hodol\u00f3gica iniciada com err\u00e2ncias sonoras &#8211; que mais me imergiam na experi\u00eancia da paisagem-ambiente do que em uma observa\u00e7\u00e3o distante &#8211; logo se transformaram em derivas dos sentidos, e evidenciou-se tamb\u00e9m o surgimento de um outro olhar, a configura\u00e7\u00e3o de uma visualidade atravessada pela abertura plurissensual. Os sentidos tornam-se porosos e os p\u00e9s tra\u00e7am mapas para se perder, caminhos sem objetivos e fins certos, o corpo se mistura ao ambiente, o mapa funde-se ao caminhar e \u00e0 paisagem, a imagina\u00e7\u00e3o ao concreto.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"660\" height=\"371\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MN6mqmB3DlA?start=285&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 26 de Abril de 2016, eu visitei\u00a0a exposi\u00e7\u00e3o individual \u00a0&#8216;Passagens Atl\u00e2nticas&#8217; da artista Leandra Lambert na Galeria IBEU &hellip; <a href=\"https:\/\/www.nendu.net\/?p=1305&#038;lang=pt\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Leandra Lambert#1<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":261,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[80],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1305"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1319,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1305\/revisions\/1319"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.nendu.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}